A Tuna Luso Brasileira, Tuna Luso ou simplesmente Tuna, é uma entidade esportiva e cultural de Belém (PA). Fundada em 1º de janeiro de 1903 por imigrantes portugueses, começou como conjunto musical e, poucos anos depois, abriu espaço para a prática esportiva. Ao longo do século XX, firmou tradição no remo, na natação e no futsal, e fez do futebol seu cartão de visitas nacional.
Origens lusitanas
Em 1902, o vapor “D. Carlos” atracou em Belém trazendo dezenas de portugueses. Do encontro dessa comunidade nasceu, por sugestão de Antonio Augusto Lobo, a “Tuna Luso Caixeiral”, oficializada em 1903 como grupo musical juvenil. O remo entrou na rotina a partir de 1906; com a saída de clubes aquáticos locais, a agremiação ocupou o espaço e dominou a modalidade, emendando dez títulos estaduais entre 1948 e 1957, o que lhe rendeu o apelido de “Rainha do Mar”.
Chegada do futebol
O futebol começou de maneira amadora em 1915; na estreia oficial, em 1º de outubro, veio de imediato a Taça 5 de Outubro. A profissionalização, em 1930, teve impulso de Francisco Vasques, peça-chave no salto do departamento. Em 1931, a Tuna enfrentou o Remo (0–0) e, a partir de 1933, passou a disputar o Campeonato Paraense. Em 1937, levantou o primeiro título estadual, invicto, e repetiu a dose em 1938.
Tradição e pioneirismo
É importante dizer que nas décadas seguintes, a Tuna acumulou conquistas em solo paraense (sobretudo em 1941, 1948, 1951, 1955, 1958, 1970) até somar dez troféus estaduais. Em 59, foi o primeiro clube do estado a participar da Taça Brasil, encerrando a campanha em nono lugar.
Já em 67, adotou a uma nova identidade, passava a chamar-se “Tuna Luso Brasileira” e fixou a cruz pátea vermelha como elemento central do escudo.
Anos de ouro
Os anos 1980 marcaram o ápice no cenário nacional: a agremiação ergueu a Taça de Prata (atual Série B) em 1985, primeira campeã nacional do Norte e, em 1992, conquistou a Série C diante do Fluminense de Feira. No ambiente local, consolidou-se como potência, usualmente atrás de Remo e Paysandu em protagonismo.

Desafios e reconstrução
Do fim dos anos 1990 em diante, a Tuna atravessou crises administrativas, alternando campanhas e rebaixamentos. Em 2013, disputou a Segunda Divisão do Paraense; o retorno à elite veio em 2020, coroado com o bicampeonato da Segundona sob nova gestão. Em 2021, foi vice-campeã estadual e voltou ao calendário nacional após 15 anos. Em 2024, sagrou-se campeã da Copa Grão-Pará.
Estádio e símbolos
O Estádio Francisco Vasques, o Souza, fica no bairro homônimo e foi inaugurado em 1935. O nome homenageia o dirigente que impulsionou o futebol do clube. No escudo verde e branco, destacam-se a cruz pátea e a águia, mascote associada a coragem e altitude.